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Artigos › 24/04/2020

Guarde o medo, espalhe a santidade

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Eu tenho vivido o medo da morte, da doença, do contágio. Medo de perder o controle. Medo de perder alguém.

Um médico me escreveu:

Estou sempre cheio de medos. Hoje, tive de ir à UTI para ver um paciente. Muitos pacientes entubados lutam para viver. Um homem doente acabara de morrer. Saímos de lá arrasados. Foi uma guerra. Chorei quando voltei para casa. Eu não conseguia tirar essa imagem da minha mente. Pensei: eu não consigo.

Porém, esta manhã, ao despertar, recebi uma graça. Maria me disse que a peregrinação por este mundo não é a única coisa que existe. Existe uma vida após a morte. Foi uma injeção de fé, de paz. O céu já pode estar dentro de mim se eu mantiver minha intimidade com Maria e Jesus.

Foi uma graça. É difícil de explicar. O medo permanece na alma, misturado com a paz de Deus.

O que esse médico viveu talvez seja semelhante ao que os discípulos viveram. Tinham medo. O que faço com o medo que entra na alma e tira minha paz? Como posso manter a paz quando vivo tão inquieto e ansioso?

Preciso que Jesus atravesse as paredes do meu quarto, quebre minhas fechaduras e me dê sua paz.

Eu preciso dessa paz. Preciso que você, Jesus, venha a mim em meio a essa pandemia. Eu preciso que Você acabe com meus medos. Alguns totalmente irracionais.

O medo é a coisa mais humana e, ao mesmo tempo, é o que me torna mais desumano. Eu me torno mesquinho e covarde. Eu me escondo da vida por medo de contágio. Por medo de adoecer.

Neste momento, eu me protejo desta pandemia. Para não infectar os outros, para interromper a corrente de infecção. E está tudo bem. Mas alguns, como Jesus, terão que atravessar muros para alcançar os contagiosos e ajudá-los a avançar.

Esses médicos e enfermeiros, como Jesus, andam pelas camas do hospital dando esperança, guardando o medo e gritando pelos corredores: “Paz para você”.

Eles darão conforto àqueles que mal conseguem respirar e sonham com um pouco de ar nos pulmões. Aquele homem doente que não quer paz, apenas ar. Você precisa daquele oxigênio que traz paz.

Eles os ajudam a viver mais um dia, mais uma hora. Como anjos passando e abençoando. É a missão de muitos.

E o de outros é rezar em silêncio, pedir paz. E que a paz de Deus tire meu medo do contágio, da morte e da própria vida. Esse medo que não me abandona. Isso me bloqueia, paralisa meu desejo mais profundo e verdadeiro de querer doar vida.

Quantas vezes eu disse ao Senhor que estou lhe dando tudo! E então, com medo, seguro bem as rédeas da minha vida.

Vivo neste tempo oculto e protegido, não por medo da vida, mas para proteger a vida de outras pessoas mais frágeis. Eu não quero ter medo da vida. Eu me mantenho em casa, mas não quero calar meu coração.

Jesus rompe minhas barreiras e me traz Sua paz. Ele me abençoa, me faz Sua testemunha. Ele me convida a sair de mim, convida-me a não ter medo. Não quero viver paralisado por um medo irracional de morrer. E não preciso disso. Pois Deus sempre me espera para uma vida eterna.

Via Aleteia

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