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Artigos › 29/11/2018

Você é feliz?

O final do ano, geralmente, vem com uma reflexão de como estamos vivendo nossa vida. Nessa semana, gostaria de propor uma pergunta. Você é feliz? Deus nos fez para a felicidade e sempre estamos tentando encontrar a tal felicidade, não é mesmo?

O Evangelho de São João nos traz o exemplo belíssimo deste encontro de felicidade. O de Jesus com a samaritana: O nome da mulher não é citado e sabemos que se não consta o nome é para que nós nos coloquemos no lugar da personagem.

A samaritana era mal-amada! Buscava a felicidade nos relacionamentos. Passou por cinco relacionamentos, teve cinco homens e não tinha ninguém. A sociedade judaica era muito machista, tanto que na sociedade judaica a mulher era condenada à morte por causa do adultério e o homem não.

Perante a lei o homem não adulterava, tanto é verdade que a carta de divórcio de Moisés nunca era dada pela mulher ao homem, era só o homem que dava à mulher em caso de adultério, o contrário não existia. Ela não podia se juntar às outras mulheres. Quando ela vai ao meio-dia buscar água, pressupõe que não haja no poço outras mulheres.

As pecadoras iam sozinhas, em horário que não havia ninguém. Então, ela foi ao meio-dia, debaixo de sol a pino, no calor de uns 42 graus, porque pela manhã e no final do dia eram as mulheres de “boa índole” que iam juntas, nestes horários. À samaritana do texto cabe ir sozinha e num horário alternativo.

Ela era pobre, porque eram os serviçais que iam buscar água no poço. As senhoras não iam, mandavam suas empregadas. Portanto, era uma mulher que não tinha chances, muitas vezes rejeitada, mal-amada, amaldiçoada até, segundo o pensamento dos judeus.

O encontro de Jesus com a Samaritana marca a quebra de um círculo vicioso, de inimizade entre judeus e samaritanos. Quando Jesus disse: “Dá-me de beber” (Jo 4,7), a reação da mulher é de surpresa: “Como sendo judeu me pedes de beber a mim que sou Samaritana?” (Jo 4,9).

Jesus propõe uma nova água, nova vida, o dom da vida. A Samaritana começa a alimentar o desejo de uma nova água, de uma fé e começa a perceber que diante dela está a água viva. E, ela descobre que precisa sair do seu egocentrismo, ela precisa sair do seu ego, da sua persona, do seu papel, ela precisa encontrar uma nova fonte.

A samaritana foi buscar água ao meio-dia, esse meio-dia quer dizer que ela está na metade da vida; é a hora da mudança, mais do que simplesmente buscar água ela está indo buscar uma água diferente, um encontro diferente, que mudou sua vida.

Santo Agostinho disse que só pode encontrar a Deus quem para de apresentar a si mesmo aos outros. Só pode encontrar a Deus quem para de pensar em si mesmo. Às vezes, cobramos demais dos outros que venham somar e não dispomos a oferecer o nosso melhor, e Jesus disse eu Te dou a felicidade!

A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui para tirar”. A verdadeira religião sai de dentro do homem. Jesus disse à samaritana: “Vá chamar o seu marido e volte aqui”. A mulher respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus disse: “Você tem razão ao dizer que não tem marido. De fato, você teve cinco maridos. E o homem que você tem agora não é seu marido. Nisso você falou a verdade” (Jo 4,16-18). E a mulher reconhece seus erros, acolhe as verdades que Jesus a faz enxergar e a fé a transforma e a leva a uma mudança.

A experiência da samaritana a leva ao conhecimento da Verdade que liberta (Jo 8,32). Sem essa experiência do conhecimento da Verdade, ninguém consegue ser verdadeiramente feliz, mesmo em meio à riqueza e prazeres deste mundo.

Nós temos fome de felicidade e a felicidade é uma construção. Não é uma euforia. A felicidade que Deus propõe em nossa vida é esse encontro que leva à transformação.

Deus os abençoe,

Por Padre Reginaldo Manzotti, via Aleteia

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